Published On:sexta-feira, 16 de março de 2012
Posted by JORNAL EDUCADORA

Agrotóxico contrabandeado abastecia produtores de MT, diz PF

De 21 suspeitos procurados, 16 foram presos pela polícia nesta quarta.

Uma tonelada de agrotóxico foi apreendida.

Leandro J. NascimentoDo G1 MT



Mais de uma tonelada de agrotóxicos foram apreendidos (Foto: Divulgação / PF)Mais de uma tonelada de agrotóxicos foram apreendidos (Foto: Divulgação / PF)

Investigação da Polícia Federal de Mato Grosso iniciada em 2010 com objetivo de apurar denúncias relativas a falsificação, comércio e contrabando de agrotóxicos oriundos de fora do país culminou com a descoberta de um esquema criminoso administrado e gerenciado por uma quadrilha baseada em Mato Grosso. Era responsável pela importação ilegal do produto, a venda e a distribuição na própria unidade, arrecando cifras que ainda não foram levantadas.

Os mandados de prisão foram cumpridos nesta quarta-feira (14) em cidades de Mato Grosso e o interior de São Paulo. São os fabricantes, vendedores e contrabandistas. Dos 21 suspeitos apontados pela polícia como participantes do grupo, 16 foram encontrados. Quatro nos municípios do estado de São Paulo: Fernandópolis (2), Miguelópolis (1) e Ituverava (1). O procurado em Monte Aprazível foi encontrado em Mato Grosso, na cidade de Rondonópolis.

Neste estado, onde de acordo com a Polícia Federal estavam os 'mentores' do grupo, foram presas 12 pessoas em municípios como Rondonópolis, Poxoréu, Campo Verde, Primavera do Leste e Jaciara. Ainda nesta quarta-feira, a PF deu cumprimento aos 37 mandados de busca e apreensão. Três veículos, uma tonelada de agrotóxico contrabandeado e US$ 1,4 mil dólares foram apreendidos.

Dos 13 mandados de condução coercitiva - para ouvir suspeitos que não compareceram ao serem convocados - a PF cumpriu 11. Conforme explica o delegado responsável pelo caso, Bruno Costa de Toledo, em Mato Grosso estava instalada a base da quadrilha. Dois homens, irmãos e com idades entre 40 e 45 anos residentes em Rondonópolis, cidade a 218 quilômetros de Cuiabá, são suspeitos de chefiar a organização.

Segundo o delegado, eles eram responsáveis por 'arquitetar' toda movimentação dos produtos desde sua importação ilegal até a distribuição para agricultores do estado que optavam por estes agrotóxicos. A venda dos itens ocorria essencialmente em Mato Grosso.

"Os líderes em Rondonópolis tinham contato com quem fornecia o agrotóxico tanto contrabandeado quanto falsificado e forneciam para agricultores da região. Estes irmãos coordenavam a importação proibida além de esquematizarem o contrabando", destacou Toledo, ao G1. Para conseguirem agrotóxicos de fora do país, especialmente Paraguai, contatos eram feitos com uma pessoa de Mato Grosso do Sul.

Após contrabandeado, o agrotóxico seguia até seu destino final no Brasil: o estado de Mato Grosso. Era nele onde concretizavam-se as vendas. As investigações mostraram que a quadrilha atraia interessados para a compra porque oferecia os itens com preços considerados abaixo de mercado. Mas enquanto parte dos produtores adquiria o agrotóxico em sua composição 'bruta', outros que pagavam pelo mesmo item recebiam os produtos já falsificados.

"Muitas vezes esses produtos têm substâncias que causam um mal e no Brasil a comercialização é proibida. Pelo que constatamos, o uso e a distruição dos produtos ocorria em Mato Grosso", pontuou ainda o delegado da Polícia Federal.

A Polícia Federal não conseguiu calcular quantos produtores rurais do estado adquiriram agrotóxicos da quadrilha. Os demais procurados pela polícia devem ser considerados foragidos da justiça. Para o delegado, a investigação 'São Lourenço' conseguiu desarticular o comércio ilegal de agrotóxico contrabandeado no país e usado em Mato Grosso.

Para a autoridade, o fato de a quadrilha estar instalada em Mato Grosso e controlar todos os negócios ilegais pode estar associado ao fato de a unidade federada produzir volume expressivo de grãos. Mas Bruno Costa de Toledo lembra que a utilização destes produtos pode trazer prejuízos econômicos e à própria saúde humana.

"Quando se está adquirindo o produto contrabandeado, o produtor faz parte do crime", considerou o delegado.

Venda do produto
De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha responsável pelo comércio dos agrotóxicos contrabandeados utilizava duas estratégias para conseguir introduzir o produto. Vendedores ou até mesmo os considerados 'chefes da organização' procuravam produtores e apresentavam as variedades. Primeiramente eram demonstrados os defensivos originais. Mas posteriormente, enviados produtos falsificados.

Os produtores que recebiam os itens falsos - cuja composição é alterada mediante mistura de diferentes componentes - não procuravam a polícia para denunciar o esquema porque tinham adquirido o produto de maneira ilegal.

A Polícia Federal não mensurou o volume financeiro que representa a quase uma tonelada de agrotóxico apreendida na operação. Mas algumas variedades tinham o preço do quilo avaliado em até R$ 20 mil.

Origem
As primeiras 'desconfianças' que em Mato Grosso havia comércio de produto contrabandeado começaram quando em operações a polícia conseguiu fechar fábricas e apreender materiais. Duas empresas clandestinas foram descobertas e apreendidas mais de 7 toneladas/litro de produto. Além disso, foram apreendidas diversas embalagens, rótulos e materiais utilizados na falsificação dos produtos.

Crimes
Entre os crimes aos quais devem responder os suspeitos responsáveis pela venda e falsificação estão o de formação de quadrilha, falsificação, contrabando e crime ambiental.

As penas para os envolvidos podem chegar a quatro anos de reclusão, além de multa. São cumulativas e podem chegar a mais de 15 anos de prisão, segundo a Polícia Federal.

Já os vendedores e falsificadores devem responder por formação de quadrilha, falsificação, contrabando e crime ambiental.

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