Published On:sexta-feira, 31 de maio de 2013
Posted by salatiel assis

Índio Morto Em Confronto Com Policia Federal em Fazenda Invadida


Barreira da PF impediu a entrada de jornalistas. (Foto: João Garrigó)Barreira da PF impediu a entrada de jornalistas. (Foto: João Garrigó)




























Morreu um dos índios feridos na desocupação da fazenda Buriti, realizada hoje em Sidrolândia pela PF (Polícia Federal) e Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais). A informação do óbito foi confirmada pelo hospital beneficente Dona Elmira Silvério Barbosa, para onde foram levados 4 terenas.
A vítima é Oziel Gabriel, 35 anos. Ele era da aldeia Córrego de Meio e estava acampado na fazenda desde o dia 15. Segundo amigos, ele era estudante do Ensino Médio e foi até a área para reforçar a luta pela retomada das terras.
A família de Oziel está no hospital, inclusive a mãe, e diz que o índio foi baleado no peito. Quando o corpo foi colocado no carro da funerária, os índios gritaram palavras de ordem, chamando o terena de "guerreiro".
Os terena foram levados ao hospital em carros de terceiro e caminhonete da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena).
O avicultor Rodrigo Cunico, de 29 anos, passava de carro pela estrada e encontrou os feridos, inclusive Oziel. “Tinha um caído, com ferimento na barriga. Ele estava inconsciente”, relata.
Bastante nervoso, um indígena, que não quis se identificar, relatou que cerca de 50 policiais federais e da Cigcoe  chegaram às 6h da manhã. Ele relata que foram pegos de surpresa, pois aguardavam serem intimados da decisão por um oficial de justiça. Os índios resistiram e houve confronto.
A fazenda foi invadida pelos terenas em 15 de maio. No mesmo dia, saiu uma decisão para que os índios deixassem o local. Mas a reintegração não foi cumprida no dia 18 e a decisão acabou suspensa até ontem, quando foi realizada audiência na Justiça Federal. Sem acordo entre as partes, o juiz Ronaldo José da Silva determinou o cumprimento da reintegração de posse.

Os índios reivindicam 17 mil hectares da aldeia Buriti que estão na posse de fazendeiros e que foram identificados em 2011 como terra indígena. A imprensa não teve acesso à fazenda Buriti. Um bloqueio com oito policiais armados impediu a entrada dos jornalistas para acompanhar o despejo dos terenas.

Bacha Culpa Cimi por Morte de Indigena

O ex-deputado Ricardo Bacha segue neste momento para a fazenda Buriti, em Sidrolândia para retomar a propriedade depois da retirada à força de índios terena que desde o dia 15 estão na propriedade.
No caminho, foi informado sobre a morte de um dos índios durante o conflito. “Isso é mentira, eles mentem muito”, comentou. Mas em seguida, ao saber da confirmação da morte de Oziel Gabriel, Bacha resumiu: “É lamentável”.
Na opinião de Bacha, a ação da Polícia era inevitável. “Não deveria ser dessa forma, mas a lei precisa ser cumprida”, avalia.
O produtor rural atacou o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), jogando para a entidade a responsabilidade pelo confronto. “Avisei todo mundo, várias vezes, que haveria morte. A culpa é do Cimi e desse povo que fica incitando índio a entrar nas fazendas.”
Sobre o fato do Cigcoe ter feito a desocupação e não a Polícia Federal, que originalmente seria a responsável pelo cumprimento da reintegração de posse, o ex-deputado avalia que todo o apoio é bem vindo quando o que está em risco é a lei. “Se não for assim, outros grupos organizados vão começar a fazer o que querem no Brasil”, diz.
Segundo ele, os terena já entraram duas vezes na Fazenda Buriti, a primeira em 2003 quando a “retirada foi pacífica”, lembra, feita pela Polícia Federal.
Hoje, por volta das 9h40, quando toda a imprensa já estava na área para acompanhar a retirada dos índios, não havia qualquer representante do CIMI no local. O Campo Grande News falou com um dos coordenadores locais por telefone e a informação foi de apenas naquele momento alguém seria enviado até lá.
Os jornalistas foram impedidos de acompanhar a desocupação. Foram barrados na estrada que dá acesso à fazenda. Para os índios, a ação foi violenta e desmedida. "A gente não tinah nada nas mãos, nem um arco. Eles chegaram atirando de manhã bem cedido. Não deu nem tempo de reagir", conta Alzira Souza, prima do índio Oziel, morto pela polícia durante confronto.
O terena é estudante do Ensino Médio, tinha 35 anos e deixa dois filhos de 15 e 18 anos.

Há informações de outros 5 feridos, entre eles um senhor de 70 anos e um homem de 46, ambos da aldeia Lagoinha que também estava na fazenda.

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