Published On:sábado, 27 de junho de 2015
Posted by salatiel assis

Produtores rurais e índios entram em confronto em fazenda invadida

Um grupo de produtores rurais entrou em confronto ontem à tarde com índios guarani-kaiowá que desde a madrugada de segunda-feira (22) ocupam a fazenda Madama, localizada no município de Coronel Sapucaia, a 400 quilômetros de Campo Grande, na fronteira com o Paraguai.

O confronto ocorreu após uma reunião realizada no Sindicato Rural de Amambai, com a participação de representantes da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e dos fazendeiros da região.
O clima é de tensão naquela região depois que os índios invadiram três fazendas nesta semana. Além da Madama, ocupada na segunda, os guarani-kaiowá invadiram ontem as fazendas Três Poderes e Água Branca, no município de Aral Moreira.
Conflito – Após a reunião, um grupo de produtores rurais, usando caminhonetes, dirigiu-se para a sede da fazenda e alguns chegaram a entrar na propriedade após cortarem a cerca de arame. Índios usando arcos e flechas estavam no local e correram para o mato quando os fazendeiros chegaram.
Policiais do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) que monitoram a região tentaram convencer os produtores rurais a não entrarem na área para evitar confronto, mas o grupo ignorou o aviso. Os fazendeiros alegaram que entrariam “pacificamente” apenas para retomar a propriedade invadida.
Após o episódio, o diretor do DOF, tenente-coronel Ary Carlos Barbosa, que tinha acompanhado a reunião no Sindicato Rural de Amambai, seguiu para Campo Grande, para informar a situação ao governo do Estado.
Cimi acusa produtores – O Cimi (Conselho Indigenista Missionário), órgão ligado à igreja católica e apontado pelos fazendeiros como incentivador das invasões em Mato Grosso do Sul, acusou os produtores rurais de promoverem um atentado a tiros ao acampamento indígena.
“Ainda não é possível afirmar se houve mortos e feridos, mas em contato telefônico com os indígenas foi possível ouvir tiros ao fundo”, afirma nota divulgada no site do conselho.
PF não foi – Ainda de acordo com o Cimi, o ataque ocorreu porque a Polícia Federal não teria cumprido o acordo intermediado segunda-feira pelo MPF (Ministério Público Federal), e não acompanhou os fazendeiros no momento em que foram à fazenda ocupada para retirada de pertences.
“Com isso, o proprietário da fazenda sentiu-se livre e impune para incitar os demais que o acompanhavam a juntos expulsarem os indígenas do local”, acusa o Cimi.

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